Levantamento da Secretaria de Segurança Pública do Paraná aponta redução também nos roubos e furtos de veículos na cidade.
Quem acompanha o noticiário policial de Maringá pode ter notado um dado que chama atenção: os indicadores de violência na cidade vêm caindo de forma consistente nos últimos anos. Segundo o Centro de Análise, Planejamento e Estatística da Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp), o número de homicídios registrados entre janeiro e maio de 2026 foi de dez, um resultado bem abaixo do observado em anos anteriores. Os roubos também recuaram, assim como os furtos de veículos. A pergunta que fica para o morador é simples: o que está por trás desses números e o que eles significam na prática para quem vive na cidade? Para responder, vale olhar os dados com calma, entender o contexto estadual e o que as autoridades apontam como causa da melhora.
O que mostram os números da segurança pública em Maringá
Os dados divulgados pela Sesp e confirmados pelo Governo do Estado do Paraná indicam que Maringá registrou dez homicídios entre janeiro e maio de 2026, contra doze no mesmo intervalo de 2025. A queda de 17% se torna ainda mais expressiva quando a comparação é feita com 2024, ano em que a cidade teve 24 ocorrências no mesmo período, uma redução de mais de 58%. Os roubos seguem a mesma tendência: caíram de 279 casos nos cinco primeiros meses de 2025 para 161 em 2026, uma queda superior a 42%.
Na comparação com 2018, a redução dos roubos chega a mais de 74%, saindo de 631 casos para os atuais 161. Os furtos de veículos também recuaram, passando de 386 registros nos primeiros cinco meses de 2025 para 253 no mesmo período deste ano. Em escala estadual, o cenário se repete: 250 municípios paranaenses, o equivalente a mais de 62% das cidades do Paraná, não tiveram nenhum homicídio registrado nos cinco primeiros meses de 2026. No ano anterior, esse número era de 240 municípios.
Os dados foram apresentados durante evento na sede da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim), com a presença de representantes da Polícia Militar e do Conselho Comunitário de Segurança, reforçando o caráter público e verificável do levantamento. O recorte estadual ajuda a situar o desempenho de Maringá dentro de uma tendência mais ampla, e não como um resultado isolado ou pontual da cidade.
Por que os indicadores de criminalidade estão caindo
O secretário de Segurança Pública do Paraná, coronel Saulo Sanson, atribuiu a melhora a uma combinação de fatores que vem sendo aplicada nos últimos anos: maior integração entre as forças policiais, uso de inteligência para mapear rotas de organizações criminosas e investimento em efetivo, estrutura e equipamentos. Segundo ele, o trabalho tem mirado diretamente a logística e o fluxo financeiro de grupos criminosos, com grandes operações conjuntas, como uma realizada em meados de junho que resultou em centenas de mandados de prisão, busca e apreensão cumpridos em diferentes regiões do estado.
Outro ponto citado pelo secretário como estratégico para os próximos meses é a expansão de programas de monitoramento urbano com apoio de tecnologia, incluindo sistemas de videomonitoramento com inteligência artificial já em operação em algumas cidades do Paraná. A ideia é ampliar a cobertura desse tipo de ferramenta, permitindo identificação mais rápida de veículos e situações suspeitas nas ruas. Para especialistas em segurança pública, esse tipo de investimento tecnológico tende a se somar ao trabalho de policiamento ostensivo tradicional, criando um efeito combinado sobre os índices.
A continuidade da queda, no entanto, depende da manutenção desses investimentos ao longo dos próximos anos, já que oscilações pontuais fazem parte da dinâmica criminal de qualquer cidade. No caso específico dos roubos de veículos, o Estado calcula que, proporcionalmente, hoje são furtados cerca de três carros para cada vinte que eram roubados em 2018, o que reforça a magnitude da mudança observada em uma década.
Como Maringá se compara ao restante do Paraná
Além dos números específicos da cidade, o Atlas da Violência 2026, elaborado a partir de dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, colocou o Paraná entre os estados com melhor desempenho do país na redução de homicídios na última década, com queda de 26,4% entre 2014 e 2024. Maringá aparece com índice abaixo da média nacional nesse levantamento, o que reforça, sob outra metodologia, a tendência já apontada pelos dados estaduais mais recentes.
Curitiba, capital do estado, teve queda de quase 61% na taxa de homicídios em dez anos e hoje apresenta um índice de 13,2 homicídios por 100 mil habitantes, praticamente metade da média nacional. O Paraná como um todo registrou taxa de 18,6 homicídios por 100 mil habitantes, número menor que a média do país, de 20,1, e em queda constante desde 2016, quando chegou a 27,5, o pico da série histórica. Esse conjunto de dados ajuda a mostrar que a melhora em Maringá acompanha um movimento estadual mais amplo, o que dá mais consistência à leitura dos números.
Para o morador comum, esse conjunto de informações ajuda a contextualizar uma percepção que muitas vezes é baseada só em casos isolados divulgados nas redes sociais. Vale lembrar que estatísticas de criminalidade não eliminam ocorrências pontuais nem tornam qualquer bairro imune a episódios de violência. Elas servem, sobretudo, como termômetro de tendência ao longo do tempo e como instrumento de cobrança da população em relação às políticas públicas de segurança.
Acompanhar esses indicadores periodicamente, e não apenas manchetes isoladas, é a forma mais confiável de entender se a cidade está, de fato, seguindo uma trajetória de melhora sustentada nos próximos semestres. A expectativa das autoridades estaduais é que os próximos levantamentos, referentes ao segundo semestre de 2026, confirmem a continuidade dessa tendência em Maringá e na região metropolitana.
Fontes:
Governo do Estado do Paraná | Secretaria da Segurança Pública do Paraná | Pinga Fogo Notícias (Atlas da Violência)
