Rodrigo Gonçalves Pimentel, advogado e filho do desembargador Sideni Soncini Pimentel, parte de uma constatação que poucos fundadores consideram enquanto ainda estão no centro das decisões: a maior parte do patrimônio construído ao longo de uma vida depende, para continuar existindo, de alguém disposto a operá-lo ativamente. Quando esse alguém não está mais presente, ou quando os herdeiros não têm nem o perfil nem o interesse para assumir essa função, o patrimônio começa a se deteriorar. Não por má gestão. Por ausência de estrutura.
A transição de um patrimônio operacional para um patrimônio gerador de renda passiva é, nesse contexto, uma das decisões mais estratégicas que uma família empresária pode tomar. E é uma decisão que precisa ser tomada com tempo, planejamento e clareza sobre o que se quer preservar.
O que diferencia um ativo operacional de um ativo gerador de renda?
Ativos operacionais exigem gestão contínua. Uma indústria, um escritório de serviços, uma rede de varejo; todos esses negócios dependem de decisões diárias, de equipes, de relacionamentos comerciais ativos e de uma liderança capaz de manter a operação funcionando. São ativos que geram valor, mas que também consomem energia, tempo e capacidade de gestão de forma constante.

Ativos geradores de renda passiva funcionam de forma diferente. Imóveis bem locados, participações em fundos de investimento, debêntures, recebíveis estruturados e cotas em FIPs familiares produzem retorno sem exigir presença operacional diária. Eles não dependem de que o herdeiro seja um gestor talentoso. Dependem de que a estrutura que os sustenta seja bem construída e bem monitorada.
Essa distinção aparece com frequência nas discussões sobre planejamento patrimonial multigeracional e, entre os profissionais que têm se dedicado a traduzir essa lógica em estruturas jurídicas concretas, Rodrigo Gonçalves Pimentel é um dos nomes presentes neste campo. Famílias que concentram todo o seu patrimônio em ativos operacionais estão, na prática, apostando que cada geração produzirá um gestor à altura do fundador. É uma aposta arriscada e, historicamente, perdedora.
Capital recycling: reorganizar o patrimônio antes que a transição force essa decisão
O conceito de capital recycling, ainda pouco discutido fora dos círculos de gestão patrimonial sofisticada, descreve exatamente esse movimento: a realocação progressiva de ativos operacionais para instrumentos que gerem renda de forma mais previsível e menos dependente de gestão ativa.
Esse processo não precisa ser abrupto. Na maioria dos casos, ele acontece de forma gradual, à medida que o fundador vai reduzindo sua exposição operacional e reorganizando o portfólio em direção a estruturas mais estáveis. O timing importa. Fazer essa transição sob pressão, quando a saúde do fundador já está comprometida ou quando o conflito entre herdeiros já está instalado, reduz significativamente as opções disponíveis e aumenta o custo tributário e jurídico de qualquer reorganização. Sob essa perspectiva, o advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel observa que o momento ideal para iniciar esse movimento raramente é reconhecido como urgente pelas famílias, justamente porque a pressão ainda não chegou.
Como a holding familiar viabiliza a geração de renda passiva estruturada?
A holding familiar é, em muitos casos, o instrumento que torna possível a transição para um modelo de renda passiva. Ao centralizar a titularidade dos ativos em uma estrutura societária organizada, ela permite que os rendimentos sejam distribuídos entre os herdeiros de forma planejada, com critérios definidos previamente e com eficiência tributária superior à que seria obtida com ativos mantidos diretamente em nome de pessoas físicas.
Dentro da holding, é possível segmentar os ativos por perfil de risco e liquidez, criar regras para a reinversão de parte dos rendimentos e estabelecer reservas para situações de crise ou oportunidade. Essa organização transforma o que seria uma distribuição informal e irregular de recursos em um fluxo previsível e sustentável de renda para todos os membros da família. Para o advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel, a holding bem estruturada deixa de ser apenas um instrumento de sucessão e passa a funcionar como uma plataforma de gestão patrimonial de longo prazo.
FIP familiar: quando a sofisticação da estrutura protege e rentabiliza ao mesmo tempo?
Para patrimônios de maior complexidade, o fundo de investimento em participações de estrutura familiar oferece uma camada adicional de organização e proteção. O FIP permite que participações societárias sejam administradas dentro de um veículo com regras de governança mais rígidas, maior controle sobre a entrada e saída de cotistas e uma estrutura de reporte que profissionaliza a relação entre os herdeiros e o patrimônio que compartilham.
Além da proteção, o FIP oferece flexibilidade para estruturar a distribuição de rendimentos de acordo com critérios previamente acordados entre os membros da família, reduzindo o espaço para conflitos sobre como e quando os recursos devem ser distribuídos. Nesse ponto, a abordagem de Rodrigo Gonçalves Pimentel considera o FIP não apenas como um veículo financeiro, mas como um instrumento de governança que antecipa e organiza relações que, sem estrutura, tendem a se tornar fontes de conflito.
Renda passiva não é passividade: o papel do monitoramento contínuo
Um equívoco comum sobre renda passiva é imaginar que ela dispensa acompanhamento. Não dispensa. O que ela elimina é a necessidade de gestão operacional diária, não a necessidade de monitoramento estratégico periódico. Ativos que geram renda precisam ser avaliados regularmente, realocados quando necessário e protegidos contra riscos que mudam ao longo do tempo.
Esse monitoramento é uma das funções centrais de uma estrutura de family office ou de um conselho patrimonial bem constituído. Ele garante que o portfólio continue alinhado aos objetivos de longo prazo da família, mesmo quando as condições de mercado mudam ou quando novos membros passam a integrar a estrutura sucessória. É justamente nessa camada de acompanhamento contínuo que Rodrigo Gonçalves Pimentel identifica uma das lacunas mais recorrentes no planejamento patrimonial brasileiro: famílias que estruturam bem no início, mas negligenciam a revisão periódica do que foi construído.
Para que patrimônio produza sem precisar de um fundador em cada geração
Construir um patrimônio que gere renda de forma estruturada e previsível é, em última análise, libertar as próximas gerações da obrigação de serem réplicas do fundador. Herdeiros com perfis distintos, interesses variados e capacidades diferentes podem coexistir dentro de uma estrutura patrimonial saudável, desde que essa estrutura tenha sido pensada para acomodar essa diversidade.
É nessa direção que aponta boa parte do trabalho discutido por Rodrigo Gonçalves Pimentel: não a construção de patrimônios que dependam de gestores excepcionais em cada geração, mas a arquitetura de estruturas capazes de produzir valor de forma contínua, independentemente de quem as habita. Patrimônio que atravessa gerações não é aquele que foi maior. É aquele que foi melhor estruturado.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
