Segundo Guilherme Campos, empreendedor e investidor, o espaço gourmet tornou-se um dos itens mais valorizados pelos compradores de imóveis em condomínios nos últimos anos. O que começou como diferencial de alto padrão migrou progressivamente para empreendimentos de padrão médio e se consolidou como expectativa de um perfil cada vez mais amplo de compradores. Entender por que esse espaço tem tanto peso na decisão de compra e o que define se ele vai cumprir sua função ou se tornar uma área subutilizada é essencial tanto para quem compra quanto para quem desenvolve empreendimentos residenciais.
A presença de um espaço gourmet bem projetado vai além do apelo estético que aparece nas fotos do lançamento. Ela reflete uma mudança no comportamento social dos moradores urbanos, que buscam cada vez mais ambientes que permitam receber pessoas, celebrar ocasiões especiais e conviver com qualidade sem precisar sair do condomínio. Quando esse espaço é bem concebido e bem gerido, ele contribui para a coesão social do condomínio e para a percepção de valor do empreendimento ao longo do tempo.
O que define um espaço gourmet bem projetado?
A diferença entre um espaço gourmet que funciona e um que decepciona começa no projeto. Dimensionamento adequado para o número de unidades do condomínio, ventilação eficiente para eliminar odores de cozinha, iluminação que crie ambientes agradáveis tanto para o preparo quanto para a refeição, infraestrutura completa de gás, elétrica e hidráulica e acústica que preserve o sossego dos moradores das unidades vizinhas são requisitos técnicos que precisam ser atendidos antes de qualquer decisão sobre acabamento e decoração.
Conforme elucida Guilherme Campos, espaços gourmet projetados apenas para parecer bem nas fotos do lançamento frequentemente apresentam problemas práticos que se revelam no uso cotidiano. Ventilação insuficiente que impregna o ambiente com cheiro de gordura, tomadas em posições inadequadas, bancadas com altura incorreta para o preparo de alimentos e falta de área de apoio para louças e utensílios são falhas que transformam uma área de lazer promissora em um espaço que os moradores evitam reservar. O resultado é uma área comum subutilizada que não entrega o valor que justificou seu custo de construção.
O impacto sobre a coesão social do condomínio
Um espaço gourmet bem projetado e bem gerido tem um efeito que vai além do lazer individual: ele contribui para a construção de uma comunidade dentro do condomínio. Moradores que reservam o espaço para celebrações, que se encontram nas áreas de apoio antes e depois dos eventos e que compartilham experiências gastronômicas criam laços de convivência que reduzem conflitos, aumentam o senso de pertencimento e tornam o condomínio um lugar onde as pessoas genuinamente querem continuar morando.
Na perspectiva de Guilherme Campos, condomínios com alto nível de convivência entre moradores apresentam indicadores melhores de conservação das áreas comuns, menor inadimplência e menor rotatividade de famílias. Esses indicadores têm impacto direto sobre o valor dos imóveis ao longo do tempo, criando um ciclo virtuoso em que a qualidade da vida comunitária sustenta a valorização patrimonial do empreendimento. O espaço gourmet, quando bem projetado, é um dos catalisadores desse ciclo.

Gestão e manutenção como fatores determinantes
De nada adianta um espaço gourmet bem projetado se a gestão do condomínio não consegue mantê-lo em condições adequadas de uso ao longo do tempo. Limpeza após cada utilização, manutenção periódica dos equipamentos de cozinha, conservação do mobiliário e das bancadas e um sistema de reservas que distribua o acesso de forma justa entre todos os condôminos são práticas de gestão que definem se o espaço vai continuar sendo valorizado ou vai se deteriorar progressivamente.
De acordo com Guilherme Campos, condomínios que estabelecem regras claras de uso e responsabilidade para os espaços gourmet desde o início da ocupação enfrentam muito menos conflitos e custos de manutenção do que aqueles que deixam essas regras para serem definidas depois que os problemas já apareceram. A regulamentação prévia do uso, combinada com um fundo específico para manutenção das áreas de lazer, é a estrutura que permite ao espaço gourmet cumprir sua função social e econômica ao longo de toda a vida útil do empreendimento.
Como o comprador deve avaliar o espaço gourmet antes de comprar?
Para o comprador que valoriza o espaço gourmet como critério de escolha, a avaliação não deve se limitar à aparência do ambiente no apartamento decorado ou nas fotos do material de vendas. Verificar a capacidade do espaço em relação ao número de unidades do condomínio, analisar a planta técnica para confirmar a infraestrutura prevista, checar as regras de uso e reserva definidas no regulamento interno e visitar empreendimentos anteriores do mesmo incorporador para avaliar o estado de conservação dos espaços gourmet já entregues são etapas que garantem uma avaliação muito mais precisa do que a análise superficial permite.
Guilherme Campos pontua que compradores que fazem essa análise com rigor raramente se arrependem da decisão, enquanto os que se deixam levar apenas pela aparência do espaço no lançamento frequentemente descobrem, após a mudança, que o espaço não atende às suas expectativas práticas de uso. A diferença entre uma boa compra e uma frustrante, nesse aspecto como em tantos outros do mercado imobiliário, está na qualidade da análise feita antes da assinatura do contrato.
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