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Revista Maringá > Blog > Notícias > O princípio da insignificância e o direito penal mínimo: absolvição em caso de furto simples analisado 
Alexandre Victor De Carvalho
Notícias

O princípio da insignificância e o direito penal mínimo: absolvição em caso de furto simples analisado 

Benoit Carvelle
Benoit Carvelle maio 9, 2025
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Alexandre Victor De Carvalho
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Conforme apresenta o desembargador Alexandre Victor de Carvalho, o princípio da insignificância vem sendo discutido com frequência no âmbito do Direito Penal brasileiro, especialmente nos casos em que a lesão ao bem jurídico protegido se mostra irrelevante. Uma recente decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, relatada pelo desembargador, exemplifica de forma clara a aplicação prática desse princípio, levando à absolvição do réu em um caso de furto de ínfimo valor. 

A seguir, exploramos os principais pontos da decisão, contextualizando sua importância no cenário jurídico nacional.

O caso concreto: furto de pequena monta

O processo teve origem a partir de um furto ocorrido em 2006, quando o apelante subtraiu uma carteira contendo documentos pessoais da vítima, na cidade de Alfenas. Segundo os autos, o réu agiu durante um momento de distração da vítima, e logo após perceber que não havia dinheiro na carteira, devolveu o objeto à Guarda Municipal. Apesar disso, foi preso pouco tempo depois e condenado a sete meses de reclusão em regime semiaberto, além de sete dias-multa.

Alexandre Victor De Carvalho
Alexandre Victor De Carvalho

No julgamento da apelação, o desembargador Alexandre Victor de Carvalho observou que o valor da carteira era de apenas R$10,00, conforme laudo pericial, e que seu conteúdo consistia basicamente em documentos sem valor econômico. A partir disso, sustentou que a lesão ao bem jurídico – o patrimônio – era de magnitude tão reduzida que não justificava a intervenção penal. Segundo ele, a conduta, embora formalmente típica, não apresentava relevância material suficiente para ensejar condenação criminal.

Fundamentação jurídica do desembargador 

Em seu voto, o desembargador desenvolveu uma análise profunda sobre o princípio da insignificância, partindo da ideia de que o Direito Penal deve atuar apenas quando absolutamente necessário. Ele sustentou que o modelo adotado pela Constituição de 1988 é o do Estado Democrático de Direito, em que o poder punitivo estatal deve estar rigidamente limitado. Assim, defendeu que o Direito Penal deve ser mínimo, reservado apenas para as condutas que causem efetiva e relevante lesão a bens jurídicos.

@alexandrevictordecarvalh

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Para o desembargador, o princípio da insignificância tem amparo constitucional e deve ser aplicado como instrumento de contenção do arbítrio estatal. Alexandre Victor de Carvalho destacou ainda que, embora o furto esteja tipificado no artigo 155 do Código Penal, a ausência de ofensividade relevante torna a conduta atípica. Citando doutrinadores renomados, o magistrado reforçou que o Direito Penal não deve se ocupar de bagatelas e que a tipicidade penal exige gravidade suficiente na ofensa ao bem jurídico protegido.

Divergência na Câmara e a posição garantista 

Durante o julgamento, houve divergência na 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O outro desembargador votou contra a aplicação do princípio da insignificância, argumentando que este não possui respaldo legal explícito e que sua aplicação implicaria violação ao princípio da reserva legal. Para ele, mesmo condutas de baixa lesividade devem ser punidas se previstas pelo legislador, de modo a preservar a autoridade da norma penal.

Apesar da divergência, prevaleceu o voto do relator Alexandre Victor de Carvalho, que reafirmou seu entendimento garantista. O desembargador ressaltou que o sistema penal deve ser interpretado de forma sistemática e conforme os princípios constitucionais, especialmente o da legalidade e o da lesividade. Com base nesses fundamentos, concluiu que a conduta do réu não ultrapassava os limites da tipicidade material e, por isso, julgou improcedente a acusação, absolvendo o réu.

Por fim, a decisão do desembargador Alexandre Victor de Carvalho no processo de apelação criminal n° 1.0016.06.063007-2/001 reafirma a importância do princípio da insignificância como limite ao poder punitivo do Estado. A atuação do desembargador nesse caso serve como exemplo de aplicação consciente e humanista da lei penal, reafirmando o compromisso do Judiciário com a racionalidade punitiva e os direitos fundamentais.

Autor: Nikolay Sokolov

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Tag:Alexandre Victor de CarvalhoAlexandre Victor de Carvalho CNJAlexandre Victor de Carvalho TJ MGdesembargador Alexandre Victor de CarvalhoO que aconteceu com Alexandre Victor de Carvalhoquem é Alexandre Victor de Carvalho
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